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06 Fevereiro 2018 Brasil Digital, economia digital

Inovação tecnológica precisa avançar

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O secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Thiago Camargo Lopes, é o responsável pelas principais agendas públicas que poderão impulsionar a economia digital do país. Estão na pauta da sua secretaria a proposta da Estratégia Digital Brasileira, o Start-Up Brasil e o Plano Nacional de Internet das Coisas. Em entrevista exclusiva ao MBC, Lopes destaca a importância da coalizão Brasil Digital como uma fonte de contribuição com visão de mercado, ajudando a identificar os gargalos econômicos e as oportunidades de inovação.


Qual a importância da Estratégia Brasileira para a Transformação Digital para a competitividade do país?

Atualmente, as tecnologias digitais permeiam inúmeros setores da economia: estão presentes nos segmentos produtivos e nas relações de consumo, nos novos modelos de negócio e nos sistemas bancário e financeiro. Quase toda atividade econômica é afetada pelo caráter inovador e eficiente das tecnologias digitais. Portanto, é fundamental preparar o país para esta realidade, aumentado a produtividade, capacitando a força de trabalho e utilizando essas novas tecnologias para o benefício econômico e social da população. Estratégias digitais já são implementadas por vários países ao redor do mundo, de diferentes níveis de competitividade, em busca de posições mais elevadas no mercado global. Elas também são recomendadas por grandes fóruns internacionais que se dedicam ao assunto, como a OCDE, o G-20 e a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina (CEPAL).

 Como o senhor avalia a digitalização da economia brasileira atual?

O Brasil evoluiu bastante em tecnologias digitais ao longo dos anos, particularmente na infraestrutura de telecomunicações, essencial para a digitalização da economia. Tivemos um crescimento expressivo no acesso ao celular e na banda larga móvel, e também o fortalecimento do setor de tecnologia da informação. Também há setores, como bancário, que intensificaram enormemente o uso de tecnologias digitais. No entanto, precisamos avançar ainda mais na inovação tecnológica, no adensamento de novas tecnologias na manufatura, na agropecuária, no comércio exterior, no setor de serviços e naqueles segmentos com forte vocação empreendedora. Temos uma grande oportunidade para implementar iniciativas que beneficiem diferentes áreas da economia, capacitem os profissionais de todas as especialidades, elevem a qualidade da educação dos cidadãos brasileiros e tornem o governo mais eficiente.

No ano passado o MCTIC coordenou a consulta pública da Estratégia Digital, qual foi o resultado dessa consulta e em qual fase está o processo?

A consulta pública foi um sucesso. Tivemos mais de cinco mil contribuições, vindas de todos os setores da sociedade. Foi feito um trabalho de análise e consolidação das contribuições recebidas, o que aprimorou o documento-base da Estratégia. Neste momento, estamos trabalhando em conjunto com a Casa Civil da Presidência da República para dar à Estratégia os ajustes finais, aprová-la por meio de decreto presidencial e definir a estrutura de governança que articulará as instâncias responsáveis pelas iniciativas para colocar tudo em prática.

O MBC coordena a coalizão Brasil Digital, um grupo formado por mais de 20 organizações do setor produtivo, como o senhor avalia a contribuição dada pelo grupo para uma política de digitalização para o Estado brasileiro?

A experiência e as sugestões de representantes do setor produtivo são fundamentais para uma estratégia de digitalização da economia e da sociedade. Só podemos desenhar tal estratégia entendendo as necessidades e as potencialidades dos agentes produtores de nossa economia. A coalizão pode contribuir enormemente com sua visão de mercado, ajudando a identificar os gargalos econômicos, as oportunidades de inovação, as perspectivas de crescimento, para que possamos formular políticas com impacto positivo real para a sociedade.

A economia digital tem transformado as relações entre governos, empresas e cidadãos, diante desse cenário qual o papel dos governos municipais, estaduais e federal? 

As tecnologias digitais tornam todas as relações muito mais dinâmicas, o que afeta também a relação entre os governos e destes com as empresas e o cidadão. Cidadãos, empresas e demais organizações lidam com o setor público de diferentes esferas em atividades diversas, como impostos, certificados, habilitações, alvarás, petições e tantos outros serviços, que podem e devem ser simplificados, com menor custo, por meio das tecnologias digitais. Os governos nos diferentes níveis devem buscar uma estreita articulação para que tal simplificação seja possível, potencializando os benefícios de suas atividades nas respectivas áreas de competência.

Assessoria de Comunicação do MBC / Fotos: Ivo Lima